sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

TEORIA DA OBVIEDADE


O elemento inovador em qualquer ponto sempre será o óbvio. Não existe caminho mais longo para solucionar um problema ou situação que pular a primeira solução óbvia. A escolha certa mudará sempre seguindo o seu novo ponto de vista, sob a influência de um novo conhecimento. Qualquer caminho que não seja óbvio não será lógico e estará mais distante do resultado esperado.
Existem muitas formas de nos distanciarmos daquilo que devemos escolher como ponto de convergência numa simples escolha. Aliás nenhuma alternativa será fácil o suficiente para que possamos ser diretos, pois estamos ainda aprendendo a conviver com a simplificação e a simplicidade de tudo, e só depois disso estaremos aptos a conviver com aquilo que supostamente será mais complexo e que hoje nem percebemos sua coexistência e interação no cotidiano.
Nossa atenção é distraída constantemente, nos empurrando em uma direção onde os pontos de ligação não são harmoniosos. Nossa compreensão, desta forma fica sempre limitada aquilo que nos distrai e não aquilo que se mostraria harmônico. Os primeiros sinais de hesitação em seguir o caminho da distração nos atemorizam e congelam, criando uma sequência de movimentos de autoproteção desnecessários e conflitantes com a proposta de harmonia recebida.
Os parágrafos anteriores apresentam o conceito da teoria da obviedade. Esse conteúdo que proponho nesse momento é essencialmente uma saída lógica e óbvia que resolve as dúvidas e dissolve as alternativas não harmônicas, pela simples aproximação com o sentido de algo verdadeiro e simples.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A vida parou


Entender essa situação é crucial. Começa com uma sensação sem confirmação de que algo está travado e, por isso, é diferente de quando as coisas dão errado sucessivamente. Errado é um resultado possível quando algo está em ação, quando algum movimento possível foi realizado ao contrário da sensação de que estou parado, travado.
Nossos momentos de decisão são normalmente simples. Coisas nas quais estamos envolvidos necessitam de alguma ação e quando esse ato ocorre teremos um resultado entre algumas possibilidades. Isso apesar de, em certas situações, ser um problema é melhor administrado do que a estagnação, pois durante a inércia não proposital entramos num estado ambíguo entre ansiedade e desânimo.
Nossos movimentos nem sempre são previsíveis e, por isso, podem ser profundamente afetados por algumas pequenas decisões tomadas sem uma reflexão mais detalhada. A consequência de uma decisão pode ser a interrupção de toda uma sequência de eventos que estariam ligadas a um determinado resultado esperado em um momento específico.
Nossas decisões não controlam à cadeia de fatos que sucedem à incongruência. Nem o começo e, tampouco, o seu fim. A percepção do travamento pode gerar um novo ponto de abertura que será breve e permitirá retomar o rumo. Mas é crucial saber qual o ponto que deu início ao travamento e identificar nessa situação o que estava em decisão.
No caso de receber uma nova oportunidade de movimentar o caminho com uma outra direção ou outro posicionamento é importante estar atento para o fato que a sequência de eventos continuará fora da previsibilidade. O que permanece sendo possível é apenas e tão somente estar presente de forma consciente no desenrolar dos fatos que se sucederão quando o resultado da nova decisão entrar em ação.
No caso de não existir oportunidade de uma mudança de direção ou posicionamento sobre o assunto demandado será necessário construir um novo posicionamento frente a um cenário imprevisto e que se torna permanente. É inapropriado e cansativo lutar contra a imutabilidade de alguma coisa, nesse caso a situação está definida e resta recomeçar com mais dedicação e atenção ao desenrolar dos fatos.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Vamos falar de “nós”?


“Nós” pode ser traduzido como o aprendizado mais complexo que se apresentará no decorrer da vida. Esse aprendizado se repetirá diversas vezes com a tendência de ser o ponto central da vida em muitos momentos. E, sendo assim, estará sujeito a uma série de contratempos, pois nascemos com uma missão primordial que gera conflito direto com a reprogramação familiar e social a que somos submetidos. Reprogramação essa que instaura na mente o sentido de buscar o “nós” como solução a inexistência formal de estrutura no “eu” primordial.
A reprogramação é feita desde os primeiros instantes após o nascer, sem nunca cessar, sem jamais ceder. Somos compelidos a criar vínculos de estruturação com as pessoas mais próximas desta criação, introduzindo o primeiro conceito do “nós” advindo da família. Seja a família tradicional com um casal no primeiro nível da pirâmide ou algum outro modelo de criação que busque através dos vínculos de afeto formatar a ligação “nós” como molde de convivência.
No decorrer do crescimento e amadurecimento serão outros os grupos que se apresentarão como suporte do módulo “nós”. Seremos incluídos em pequenos grupos conforme o avanço da nossa idade que atenderão aspectos específicos da evolução da personalidade. Desde as primeiras convivências na escola, bem como, nas diversas etapas do destino acadêmico, passando pela adesão as preferências auditivas, visuais, alimentares, esportivas, sexuais, entre tantas possíveis, teremos uma variedade de grupos de afinidade que tentarão definir o “nós” como identidade adesiva da personalidade.
A maior parte dos grupos a que aderirmos tem a característica de transitoriedade, pois nossa missão é mais forte que a reprogramação e funciona como um vírus que apresenta, de tempos em tempos, a sensação incomoda de desconforto com alguma coisa. Como essa coisa é uma necessidade existencial básica de auto exploração ficamos apenas com a percepção do desconforto que veio à tona, até o momento em que o desconforto pode se tornar tão angustiante que alguma atitude será tomada.
Esse é o ponto. O “nós” não subsiste sem o “eu” ter sido desenvolvido de maneira sustentável. O “eu” quando suplementa o “ego” desenvolve a capacidade de ser o todo mesmo sendo apenas uma parte deste todo, possibilitando criar o ambiente para a simbiose primordial onde eu me reencontro com minha outra parte, resolvendo o conflito da solidão existencial e atendendo a missão primordial de forma plena.
Infelizmente o maior incentivo que recebemos é para adquirirmos no “nós” a identidade do “eu”. O que não é saudável e nem lógico. Somar dois ou mais “eus” inacabados não cria algo completo. A assimilação do “eu” através do outro não solidifica a composição do “nós” ao ponto de resolver a questão a bom termo. Ela apenas amplia à certeza de que o outro é a identificação de um problema inexistente tanto na solidão individual do “eu” como na solidão compartilhado do “nós”. 
Tirando as “aspas”, que servem apenas para chamar atenção aos pronomes, simplifico com a seguinte frase: eu não encontrarei solução para à falta de qualquer coisa na companhia de outra pessoa que tenha a mesma percepção de carência!

domingo, 1 de abril de 2018

Desejo por prazer


O desejo é o principal opositor ao desenlace espiritual seja ele qual for. Tanto é assim que uma grande batalha da meditação é para silenciar a mente e suprimir, entre outras coisas, a intenção de desejar. Não vou avançar nesse ponto no momento.
A latência do desejo é sentida na mente e no corpo. Desejar é uma das grandes experiências da vida. Perceber o desejo crescer e entender que a satisfação desse desejo é necessária nos remete a um ponto crucial de nossa curta vida: o prazer.
Desejar é a forma que nossa mente nos indica uma probabilidade de prazer, mas o desejo por si só não alimenta a intenção de satisfazê-lo. Para realizar o desejo é preciso identificar a fonte do prazer. A associação do desejo ao que irá satisfazê-lo é o que torna a concretização prazerosa, pois desejo e prazer estão associados diretamente à conquista e posse.
Conquistar satisfaz de imediato, é o prazer instantâneo mesmo que às vezes com consequências problemáticas. Possuir é o prazer da conquista adicionado a facilidade de desfrutar, contemplar, mostrar e, até mesmo, compartilhar.
Nós nos adaptamos durante nossa vida a desejar de tudo. Desejamos saúde, bens de consumo, segurança, conhecimento, patrimônio, lazer e uma infinidade outras coisas. Mas uma forma de desejo é especialmente complexa: o desejo por outro humano. Nada reflete de forma tão clara a ambiguidade de nossa existência quanto o desejo por uma mulher ou homem. Esse desejo é perspectiva de diversas maneiras de prazer, mas também encaminha ao sofrimento.
Desejar uma companhia é algo que está inserido em nossa complexa genética. Inicia no princípio básico de continuidade da espécie e trilha as mais diversas possibilidades. Não vou dar destaque para os distúrbios associadas à conquista e posse de outro humano, apesar de serem muitos, pois prefiro abordar o caminho que explora as variantes da relação sadia.
A construção da relação entre pessoas invariavelmente surge da manifestação de interesse de apenas uma das partes, pois raros são os casos do interesse mutuo simultâneo. Quando surge o interesse de uma das partes inicia o desenrolar da conquista, que será construída em pontos de afirmação. Esse interesse tem como combustível o desejo por algo que a nossa percepção entende que a outra pessoa oferece. Esse algo subentendido é a possibilidade de satisfação do nosso desejo.
Como o desejo mais fremente é no âmbito sexual é aqui que vemos o desenrolar do interesse se expandir. Os pontos de união no interesse sexual são inicialmente instintivos e vão da facilidade, disponibilidade até o desafio, aceitação. O desejo sexual é bem amplo e um tanto obscuro, visto que ao longo da evolução da humanidade foi mal construído e hoje reflete esse equívoco das mais variadas formas.
O desejo sexual é direcionado ao prazer e como tal será oferecido como sendo um ponto de afirmação na construção da relação. A manifestação do desejo sexual pressupõe que em algum momento exista a possibilidade de efetivar o ato sexual, esse é outro ponto de afirmação na construção da relação. Como instinto básico de sobrevivência da espécie a capacidade natural de realizar o ato sexual sempre será considerada como positiva exceto, é claro, quando não exista desejo sexual de uma das partes e é por isso que na construção da relação vamos estabelecendo diversos pontos de afirmação.
Conforme nossa espécie está evoluindo na capacidade mental de formulação de ideias e pensamentos, o desejo sexual está sendo confrontado com uma nova série de interesses que se sobrepõe as manifestações naturais de desejo e capacidade sexual. Essa evolução que nos permite avaliar mais coisas em nossos prováveis parceiros e, assim, criar facilidades de entrosamento entre ambos, também desvia em parte o foco do desejo pelo ato sexual. Esse desejo, apesar de estar presente, passa a configurar uma parte da equação que tendemos a querer montar para encontrar e manter um parceiro.
Na equação do desejo pelo prazer o peso do equilíbrio está tomando uma parte muito importante do próprio resultado. Sentir que me identifico, num amplo aspecto da vida, com meu parceiro é quase mais importante que a capacidade que esse parceiro tenha de me oferecer desejo e capacidade sexual. Essa relação de identificação será ambientalmente muito bem ajustada, mas poderá carecer de afinidade verdadeira na exploração do desejo e da prática do ato sexual.
O desejo por prazer sexual para ser satisfeito de forma plena não pode ser relativo. Ele necessita da concreta satisfação física da experiência real, muito mais do que à expectativa de entendimento mental. As fases mentais do desejo não são resolvidas sem à experiência em si, pois de nada adianta ter uma relação sexual no plano da fantasia, com a projeção do contato físico idealizado, sem o calor dos beijos, sem os carinhos da exploração mutua, sem os aromas e sensações da preparação, sem os ajustes dos corpos, das palavras, da respiração que conduzem ao grande momento de entrega e realização. Se isso tudo for apenas uma perspectiva mental não realizável não existirá prazer e não resistirá a própria relação entre as partes envolvidas.
O desejo por prazer sexual se amplia quando encontramos um parceiro compatível na realização do ato sexual em si. Essa ampliação do desejo é o combustível que faz expandir a intimidade entre os parceiros. E a intimidade quando é concedida por ambos desejos de prazer só faz o próprio ato sexual aumentar em intensidade, entrega e disposição. Gerando assim mais prazer e mais desejo.
O desejo por prazer sexual quando satisfeito traz consigo uma outra variante de interesses. Essa variante leva, infelizmente, a uma contradição, pois é normal que todo o humano que esteja plenamente satisfeito no âmbito do desejo sexual aponte o seu foco de para outro ponto da relação vivida ou para outro desejo não satisfeito. Isso é humano e nós somos assim.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A imagem sem nome


Quando comecei a escrever minhas experiências, vivências e experimentações nesse blog o impulso era desbravar o mistério da minha própria autoimagem. O ponto não era saber quem ou o que sou, mas desvelar porquê estou aqui associado a essa forma em uma imagem modelada e nominada.
Não me interessa também saber o que minha mente apresenta como ideias, possibilidades ou certezas, pois eu sei que eu não tenho a formação da autoimagem estruturada em qualquer psicopatologia que seja debatida em linha de estudo e, tampouco, me explicou qualquer coisa ou serenou a dúvida saber que minha imagem é isso ou aquilo.
A questão crescia no contexto das divagações leves ou profundas, mas explodia conforme eu deixava de pensar e apenas apreendia as coisas que se mostravam a cada instante.
A autoimagem é um enigma que parte de um princípio direto: minha forma não é minha autoimagem. Mas conceitos não se aplicam no desvelamento, é preciso largar tudo que é ou não é conhecido e ir mais adiante.
Busquei entender a imagem do personagem deus, meu semelhante, para entrelaçar a busca do conhecimento com a vontade de largar tudo e apenas experienciar sem questionar. Mas tudo que envolve o personagem deus é tão vago e inexpressivo, quando correlacionado ao contexto da própria autoimagem, que não é apropriado ligar minha forma conhecida ao propósito administrado pelas intenções de quem usa o termo deus e o seu significado.
Também nos múltiplos deuses orientais, índios, hindus, nórdicos ou mitológicos não é possível entender a relação de imagem conhecida com autoimagem não estabelecida. Tanto uns como outros são formas de representar a obtenção de vantagens com eles próprios.
A autoimagem foi o ponto de partida, mas no transcorrer do caminho surgiu outra coisa. O desvelamento da inexistência de um parâmetro de concepção da autoimagem, que não seja pela aplicação de modelos psíquicos, propiciou o entendimento de que tudo aquilo que sei, tudo aquilo que entendo, tudo aquilo que acredito, é apenas o fruto de uma série de imagens.
Eu não formo nenhum tipo de pensamento sem que esse pensamento esteja atrelado a uma sequência de imagens previamente conhecidas e formatada em meu intelecto. Até o que porventura ainda não tenha aprendido me é apresentado por uma sucessão de imagens conhecidas que vão traduzindo para a mente o que é aquilo que está surgindo agora. E isso não deixa de ser um grande problema.
Sempre que o desconhecido surge ele é bombardeado por imagens do que é conhecido para ser assimilado e aceito pela mente. A organização do meu saber é acomodada em uma ampla combinação de imagens e cedida com severas restrições ao ajuste da experienciação pura. Assim, fica evidente que desvelar o desconhecido não é nada mais do que, de forma simples e direta, aumentar a experienciação.
A leitura desse pequeno texto introdutório pode ter sido cercada de alguma dificuldade e até um certo peso, pois ele foi criado pensando em dificultar a assimilação de imagens, dando assim a condição de apreender o que é viver a imagem sem nome na experienciação pura e simples do desconhecido.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Eu estou no presente, no agora?

Eu não consigo e nunca conseguirei me ver no momento presente, no agora. Não existe no presente nenhuma representação minha para ser apreciada. Até mesmo quando olho diretamente para o espelho, pelo tempo que for, eu sempre verei minha imagem no passado, pois o cérebro faz a interpretação da imagem captada pelos olhos e isso, por mais rápido que seja, precisa de um tempo (incalculável) para acontecer, mas é o tempo suficiente para tirar a própria imagem do presente, do agora.
Assim a minha mente nunca conseguirá acompanhar o agora ou o presente, porque ela necessita fazer uma tradução, uma identificação com algo conhecido e no caso do espelho sou eu mesmo. O ato de ver, o ato de enxergar não é simultâneo ao agora. O agora, o presente ele não é estático, mas é imóvel e imutável. O agora não se encaixa na interpretação da própria imagem, ele não está nem nesse momento porque o tempo que leva para o cérebro interpretar a própria imagem refletida no espelho ou transcorrida no pensamento é o tempo suficiente para eu sair do presente e voltar para a mente.
E é, basicamente, por isso que a mente humana tem tanta dificuldade em aceitar que ela própria não existe no agora, no presente. Sempre que eu penso no agora eu não estou no presente. Eu estou no pensamento, na mente que identifica uma imagem, um som, um cheiro, etc.
O ponto de estar no presente, no agora não está em sair da interpretação de imagem, som, cheiro, etc., mas apenas não aderir, não se identificar com isso. Eu interajo com tudo sem me afetar com as consequências do que percebi ou senti. Eu vivo no presente, mas convivo com a interpretação das imagens que minha mente precisa para se alocar no tempo. Eu vivo no agora e desprezo as informações que a minha mente interpretativa constantemente me apresenta. Não me interessa se aquele aroma é doce ou se o sabor é salgado ou se o ar é quente ou se está escuro. Nada disso me diz algo no agora e isso tudo acontece em mim ao mesmo tempo. 

Eu estou no presente, no agora? Estou? 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Sentenças e resoluções... do ano novo

Já temos quase um mês que o ano mudou, então é uma boa hora de avaliar sobre sentenças e resoluções... do ano novo.
Começo por lembrar que é muito fácil atrapalhar a ajuda do universo ao meu dia a dia. Enquanto o universo age na progressão de situações que buscam satisfazer meus pedidos, eu ajo em sentenças terminativas, nem sempre conscientes, mas consistentes com as aspirações de problemas e dificuldades incutidas em minha mente por anos e anos de aprendizado. Isso é fortuito e não intencional na maioria das vezes.
Sentenciar é, basicamente, emitir uma firmação de qualquer tipo criando assim um vínculo de comprometimento num ato de expressão. Uma firmação mesmo que negativa é sempre uma sentença. E toda sentença provem de uma crença. E minhas crenças são os frutos do que eu conheço, aprendi. E o que eu conheço é, no máximo, o meu próprio modo de agir que é diferente do mecanismo do universo.
Uma das repetidas e repetitivas tentativas de afugentar meu mal funcionamento com relação às sentenças manifestadas é a expectativa depositada nas resoluções de ano novo. O casamento perfeito entre o dispensável e o irrealizável. Até aqui alguma novidade? Mas onde está a firmação da sentença de uma resolução de ano novo? No vazio, no vazio da esperança de que de um dia para o outro serei confiante e comprometido.
No universo não existe ruim ou bom. Esperança ou expectativa. Um pedido é um pedido. E ele será atendido de alguma forma. A sentença que corrobora uma firmação não é substituída por uma intenção de melhoria. A intenção é a pólvora, nada mais que isso. E a resolução é a simples intenção. Assim temos uma explosão manifestada ao universo, cercada de emoção e expectativa.
E onde está o problema em firmar uma sentença no ano novo? não existe nenhum problema, aliás, essa firmação pode ser feita hoje mesmo, agora! Desde que você consiga refutar a contra-argumentação que será proposta pela própria mente que aprendeu e conhece a dificuldade, a dúvida e a desistência como forma de manter o controle dentro do que é conhecido. E o que mais é conhecido é o que estou acostumado a validar. Por isso que ansiedade, temor e receio de ir em frente sempre surgem para sustar qualquer possibilidade de avanço.

Volto ao funcionamento do universo... e ao meu próprio funcionamento e assim me pergunto: quem deve mudar? 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Opiniões e evolução espiritual

Nos acostumamos a ter um forte apreço por nossas opiniões pessoais. Tanto é assim que hoje boa parte do nosso tempo é consumido em manifestá-las e lutar por elas. Expor nosso pensamento é uma forma de provar nossa própria existência. Existência essa posta à prova sempre que nos deparamos com a questão espiritual, mais especificamente com o tema da evolução. A evolução espiritual por si só é uma fraude, e isso já foi falado e escrito por muitas pessoas, não é novidade. E a fraude está na simples junção das duas palavras na mesma expressão: evolução + espiritual.
O entendimento da evolução humana é natural. Estamos em evolução. Avançamos e recuamos como qualquer experiência cientifica controlada. E quanto mais evoluímos mais queremos adicionar conteúdo ao produto. É assim que funciona nosso mundo, e é assim que nós funcionamos.
O entendimento da conexão espiritual com a evolução é o ponto fora da curva em nossa condição humana. Não existe o que evoluir para o espirito mesmo enquanto usado na experiência humana. Neste ponto especifico a evolução é assintomática na humanidade. Não existe ligação. É independente.
Enquanto o ser humano evolui em aceitar-se como sendo uma parte do todo, a conexão espiritual é exatamente o contrário. A evolução do indivíduo humano é criar a conexão com todos os outros pares coabitantes deste planeta e, ao mesmo tempo, isolar-se em si mesmo para conectar ao mais profundo da sua própria existência universal. A possibilidade de conexão espiritual é permitir ao indivíduo que no mais profundo egoísmo aceita ser um e único para ser livre, ser tudo e todos.  
Ser um e único é o oposto de manifestar-se sobre a própria opinião ou vontade. Ser um e único é ser isso e ao mesmo tempo não ser nada onde nada existe. Quando nada me interessa e, ao mesmo tempo, eu não fujo de nada do que acontece e me circunda eu estou no caminho de ser um e único num profundo e simples vazio. O nada ou vazio não é um local a ser alcançado, um ponto a ser atingido, mas o momento onde eu não manifesto o que eu acho, o que eu penso, o que eu quero, é assim, neste momento, onde nada está em mim, agindo em mim, onde nada está sendo eu, que eu encontro o vazio em mim.
E o vazio em mim sou eu, espirito universal, em tudo e todos presente, sendo humano.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Desaprender

O despertar é um tema que não costumo abordar, pois ele é bastante complexo. Além de que já tem bastante coisa escrita ou gravada sobre esse assunto. Assim sendo vou fazer uma abordagem sobre o pós despertar e o que fazer nessa situação. Lembro que o caminho para o despertar é diferente para cada um:  pode ser simples, direto ou complicado, tortuoso e até doloroso.
Mas passado o evento e solidificado o conceito temos o passo seguinte. Começa a jornada dupla, um novo momento com novas condições e necessidades. Agora eu preciso viver a vida ordinária e andar desperto pelo mundo, país, estado, cidade, bairro, casa... trabalhar ou estudar, participar de eventos ou festas, ir a hospitais ou enterros, receber familiares ou amigos, enfim conviver com despertos e não despertos. Nada muda na vida ordinária de um desperto a não ser o vínculo com as situações. Então se você não leu sobre isso durante o despertar, vai precisar continuar a jornada de descobertas.
Vejo que a principal missão de um desperto é desaprender. E isso poderá ser complexo. Muitos despertos se perdem nessa jornada. Talvez até se existisse algum segredo a ser desvendado no despertar é sobre desaprender. Pois é necessário desaprender tudo sem desprezar esse conhecimento tão importante na vida ordinária. Todo o conhecimento sobre a vida humana é necessário e será útil, mas as implicações do conhecimento podem e devem ser desprezadas.
Coisas como o peso da minha opinião, minha razão, minha certeza por mais que sejam uteis para viver e desempenhar o papel esperado não devem mais provocar reações em mim. Reações emocionais físicas ou mentais. É preciso desaprender do apego para não sofrer, ou duvidar. Eu aprendi desde que nasci a me apegar a mim e a tudo. Sou meu proprietário, as vezes cedo essa posse, as vezes tomo posse de outros, isso faz parte da vida ordinária. Mas um desperto não é mais um qualquer na vida ordinária humana. Um desperto no mínimo goza da sutileza e perspicácia da liberdade, da paciência, da confiança.
Desaprender do que me prende é o que faz sentido no despertar porque de resto é continuar na vida ordinária humana sendo apenas ordinário.

Desaprender sem desprezar. Não esqueça disso!