quarta-feira, 9 de maio de 2018

Vamos falar de “nós”?


“Nós” pode ser traduzido como o aprendizado mais complexo que se apresentará no decorrer da vida. Esse aprendizado se repetirá diversas vezes com a tendência de ser o ponto central da vida em muitos momentos. E, sendo assim, estará sujeito a uma série de contratempos, pois nascemos com uma missão primordial que gera conflito direto com a reprogramação familiar e social a que somos submetidos. Reprogramação essa que instaura na mente o sentido de buscar o “nós” como solução a inexistência formal de estrutura no “eu” primordial.
A reprogramação é feita desde os primeiros instantes após o nascer, sem nunca cessar, sem jamais ceder. Somos compelidos a criar vínculos de estruturação com as pessoas mais próximas desta criação, introduzindo o primeiro conceito do “nós” advindo da família. Seja a família tradicional com um casal no primeiro nível da pirâmide ou algum outro modelo de criação que busque através dos vínculos de afeto formatar a ligação “nós” como molde de convivência.
No decorrer do crescimento e amadurecimento serão outros os grupos que se apresentarão como suporte do módulo “nós”. Seremos incluídos em pequenos grupos conforme o avanço da nossa idade que atenderão aspectos específicos da evolução da personalidade. Desde as primeiras convivências na escola, bem como, nas diversas etapas do destino acadêmico, passando pela adesão as preferências auditivas, visuais, alimentares, esportivas, sexuais, entre tantas possíveis, teremos uma variedade de grupos de afinidade que tentarão definir o “nós” como identidade adesiva da personalidade.
A maior parte dos grupos a que aderirmos tem a característica de transitoriedade, pois nossa missão é mais forte que a reprogramação e funciona como um vírus que apresenta, de tempos em tempos, a sensação incomoda de desconforto com alguma coisa. Como essa coisa é uma necessidade existencial básica de auto exploração ficamos apenas com a percepção do desconforto que veio à tona, até o momento em que o desconforto pode se tornar tão angustiante que alguma atitude será tomada.
Esse é o ponto. O “nós” não subsiste sem o “eu” ter sido desenvolvido de maneira sustentável. O “eu” quando suplementa o “ego” desenvolve a capacidade de ser o todo mesmo sendo apenas uma parte deste todo, possibilitando criar o ambiente para a simbiose primordial onde eu me reencontro com minha outra parte, resolvendo o conflito da solidão existencial e atendendo a missão primordial de forma plena.
Infelizmente o maior incentivo que recebemos é para adquirirmos no “nós” a identidade do “eu”. O que não é saudável e nem lógico. Somar dois ou mais “eus” inacabados não cria algo completo. A assimilação do “eu” através do outro não solidifica a composição do “nós” ao ponto de resolver a questão a bom termo. Ela apenas amplia à certeza de que o outro é a identificação de um problema inexistente tanto na solidão individual do “eu” como na solidão compartilhado do “nós”. 
Tirando as “aspas”, que servem apenas para chamar atenção aos pronomes, simplifico com a seguinte frase: eu não encontrarei solução para à falta de qualquer coisa na companhia de outra pessoa que tenha a mesma percepção de carência!

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