terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A imagem sem nome


Quando comecei a escrever minhas experiências, vivências e experimentações nesse blog o impulso era desbravar o mistério da minha própria autoimagem. O ponto não era saber quem ou o que sou, mas desvelar porquê estou aqui associado a essa forma em uma imagem modelada e nominada.
Não me interessa também saber o que minha mente apresenta como ideias, possibilidades ou certezas, pois eu sei que eu não tenho a formação da autoimagem estruturada em qualquer psicopatologia que seja debatida em linha de estudo e, tampouco, me explicou qualquer coisa ou serenou a dúvida saber que minha imagem é isso ou aquilo.
A questão crescia no contexto das divagações leves ou profundas, mas explodia conforme eu deixava de pensar e apenas apreendia as coisas que se mostravam a cada instante.
A autoimagem é um enigma que parte de um princípio direto: minha forma não é minha autoimagem. Mas conceitos não se aplicam no desvelamento, é preciso largar tudo que é ou não é conhecido e ir mais adiante.
Busquei entender a imagem do personagem deus, meu semelhante, para entrelaçar a busca do conhecimento com a vontade de largar tudo e apenas experienciar sem questionar. Mas tudo que envolve o personagem deus é tão vago e inexpressivo, quando correlacionado ao contexto da própria autoimagem, que não é apropriado ligar minha forma conhecida ao propósito administrado pelas intenções de quem usa o termo deus e o seu significado.
Também nos múltiplos deuses orientais, índios, hindus, nórdicos ou mitológicos não é possível entender a relação de imagem conhecida com autoimagem não estabelecida. Tanto uns como outros são formas de representar a obtenção de vantagens com eles próprios.
A autoimagem foi o ponto de partida, mas no transcorrer do caminho surgiu outra coisa. O desvelamento da inexistência de um parâmetro de concepção da autoimagem, que não seja pela aplicação de modelos psíquicos, propiciou o entendimento de que tudo aquilo que sei, tudo aquilo que entendo, tudo aquilo que acredito, é apenas o fruto de uma série de imagens.
Eu não formo nenhum tipo de pensamento sem que esse pensamento esteja atrelado a uma sequência de imagens previamente conhecidas e formatada em meu intelecto. Até o que porventura ainda não tenha aprendido me é apresentado por uma sucessão de imagens conhecidas que vão traduzindo para a mente o que é aquilo que está surgindo agora. E isso não deixa de ser um grande problema.
Sempre que o desconhecido surge ele é bombardeado por imagens do que é conhecido para ser assimilado e aceito pela mente. A organização do meu saber é acomodada em uma ampla combinação de imagens e cedida com severas restrições ao ajuste da experienciação pura. Assim, fica evidente que desvelar o desconhecido não é nada mais do que, de forma simples e direta, aumentar a experienciação.
A leitura desse pequeno texto introdutório pode ter sido cercada de alguma dificuldade e até um certo peso, pois ele foi criado pensando em dificultar a assimilação de imagens, dando assim a condição de apreender o que é viver a imagem sem nome na experienciação pura e simples do desconhecido.

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