Quando comecei a
escrever minhas experiências, vivências e experimentações nesse blog o impulso
era desbravar o mistério da minha própria autoimagem. O ponto não era saber
quem ou o que sou, mas desvelar porquê estou aqui associado a essa forma em uma
imagem modelada e nominada.
Não me interessa
também saber o que minha mente apresenta como ideias, possibilidades ou
certezas, pois eu sei que eu não tenho a formação da autoimagem estruturada em
qualquer psicopatologia que seja debatida em linha de estudo e, tampouco, me
explicou qualquer coisa ou serenou a dúvida saber que minha imagem é isso ou
aquilo.
A questão crescia
no contexto das divagações leves ou profundas, mas explodia conforme eu deixava
de pensar e apenas apreendia as coisas que se mostravam a cada instante.
A autoimagem é um
enigma que parte de um princípio direto: minha forma não é minha autoimagem.
Mas conceitos não se aplicam no desvelamento, é preciso largar tudo que é ou
não é conhecido e ir mais adiante.
Busquei entender
a imagem do personagem deus, meu semelhante, para entrelaçar a busca do
conhecimento com a vontade de largar tudo e apenas experienciar sem questionar.
Mas tudo que envolve o personagem deus é tão vago e inexpressivo, quando
correlacionado ao contexto da própria autoimagem, que não é apropriado ligar
minha forma conhecida ao propósito administrado pelas intenções de quem usa o
termo deus e o seu significado.
Também nos múltiplos
deuses orientais, índios, hindus, nórdicos ou mitológicos não é possível
entender a relação de imagem conhecida com autoimagem não estabelecida. Tanto
uns como outros são formas de representar a obtenção de vantagens com eles
próprios.
A autoimagem foi
o ponto de partida, mas no transcorrer do caminho surgiu outra coisa. O
desvelamento da inexistência de um parâmetro de concepção da autoimagem, que
não seja pela aplicação de modelos psíquicos, propiciou o entendimento de que
tudo aquilo que sei, tudo aquilo que entendo, tudo aquilo que acredito, é
apenas o fruto de uma série de imagens.
Eu não formo nenhum
tipo de pensamento sem que esse pensamento esteja atrelado a uma sequência de
imagens previamente conhecidas e formatada em meu intelecto. Até o que
porventura ainda não tenha aprendido me é apresentado por uma sucessão de
imagens conhecidas que vão traduzindo para a mente o que é aquilo que está
surgindo agora. E isso não deixa de ser um grande problema.
Sempre que o
desconhecido surge ele é bombardeado por imagens do que é conhecido para ser assimilado
e aceito pela mente. A organização do meu saber é acomodada em uma ampla
combinação de imagens e cedida com severas restrições ao ajuste da
experienciação pura. Assim, fica evidente que desvelar o desconhecido não é
nada mais do que, de forma simples e direta, aumentar a experienciação.
A leitura desse
pequeno texto introdutório pode ter sido cercada de alguma dificuldade e até um
certo peso, pois ele foi criado pensando em dificultar a assimilação de
imagens, dando assim a condição de apreender o que é viver a imagem sem nome na experienciação pura e
simples do desconhecido.
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