segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Desaprender

O despertar é um tema que não costumo abordar, pois ele é bastante complexo. Além de que já tem bastante coisa escrita ou gravada sobre esse assunto. Assim sendo vou fazer uma abordagem sobre o pós despertar e o que fazer nessa situação. Lembro que o caminho para o despertar é diferente para cada um:  pode ser simples, direto ou complicado, tortuoso e até doloroso.
Mas passado o evento e solidificado o conceito temos o passo seguinte. Começa a jornada dupla, um novo momento com novas condições e necessidades. Agora eu preciso viver a vida ordinária e andar desperto pelo mundo, país, estado, cidade, bairro, casa... trabalhar ou estudar, participar de eventos ou festas, ir a hospitais ou enterros, receber familiares ou amigos, enfim conviver com despertos e não despertos. Nada muda na vida ordinária de um desperto a não ser o vínculo com as situações. Então se você não leu sobre isso durante o despertar, vai precisar continuar a jornada de descobertas.
Vejo que a principal missão de um desperto é desaprender. E isso poderá ser complexo. Muitos despertos se perdem nessa jornada. Talvez até se existisse algum segredo a ser desvendado no despertar é sobre desaprender. Pois é necessário desaprender tudo sem desprezar esse conhecimento tão importante na vida ordinária. Todo o conhecimento sobre a vida humana é necessário e será útil, mas as implicações do conhecimento podem e devem ser desprezadas.
Coisas como o peso da minha opinião, minha razão, minha certeza por mais que sejam uteis para viver e desempenhar o papel esperado não devem mais provocar reações em mim. Reações emocionais físicas ou mentais. É preciso desaprender do apego para não sofrer, ou duvidar. Eu aprendi desde que nasci a me apegar a mim e a tudo. Sou meu proprietário, as vezes cedo essa posse, as vezes tomo posse de outros, isso faz parte da vida ordinária. Mas um desperto não é mais um qualquer na vida ordinária humana. Um desperto no mínimo goza da sutileza e perspicácia da liberdade, da paciência, da confiança.
Desaprender do que me prende é o que faz sentido no despertar porque de resto é continuar na vida ordinária humana sendo apenas ordinário.

Desaprender sem desprezar. Não esqueça disso! 

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