quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Eu estou no presente, no agora?

Eu não consigo e nunca conseguirei me ver no momento presente, no agora. Não existe no presente nenhuma representação minha para ser apreciada. Até mesmo quando olho diretamente para o espelho, pelo tempo que for, eu sempre verei minha imagem no passado, pois o cérebro faz a interpretação da imagem captada pelos olhos e isso, por mais rápido que seja, precisa de um tempo (incalculável) para acontecer, mas é o tempo suficiente para tirar a própria imagem do presente, do agora.
Assim a minha mente nunca conseguirá acompanhar o agora ou o presente, porque ela necessita fazer uma tradução, uma identificação com algo conhecido e no caso do espelho sou eu mesmo. O ato de ver, o ato de enxergar não é simultâneo ao agora. O agora, o presente ele não é estático, mas é imóvel e imutável. O agora não se encaixa na interpretação da própria imagem, ele não está nem nesse momento porque o tempo que leva para o cérebro interpretar a própria imagem refletida no espelho ou transcorrida no pensamento é o tempo suficiente para eu sair do presente e voltar para a mente.
E é, basicamente, por isso que a mente humana tem tanta dificuldade em aceitar que ela própria não existe no agora, no presente. Sempre que eu penso no agora eu não estou no presente. Eu estou no pensamento, na mente que identifica uma imagem, um som, um cheiro, etc.
O ponto de estar no presente, no agora não está em sair da interpretação de imagem, som, cheiro, etc., mas apenas não aderir, não se identificar com isso. Eu interajo com tudo sem me afetar com as consequências do que percebi ou senti. Eu vivo no presente, mas convivo com a interpretação das imagens que minha mente precisa para se alocar no tempo. Eu vivo no agora e desprezo as informações que a minha mente interpretativa constantemente me apresenta. Não me interessa se aquele aroma é doce ou se o sabor é salgado ou se o ar é quente ou se está escuro. Nada disso me diz algo no agora e isso tudo acontece em mim ao mesmo tempo. 

Eu estou no presente, no agora? Estou? 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Sentenças e resoluções... do ano novo

Já temos quase um mês que o ano mudou, então é uma boa hora de avaliar sobre sentenças e resoluções... do ano novo.
Começo por lembrar que é muito fácil atrapalhar a ajuda do universo ao meu dia a dia. Enquanto o universo age na progressão de situações que buscam satisfazer meus pedidos, eu ajo em sentenças terminativas, nem sempre conscientes, mas consistentes com as aspirações de problemas e dificuldades incutidas em minha mente por anos e anos de aprendizado. Isso é fortuito e não intencional na maioria das vezes.
Sentenciar é, basicamente, emitir uma firmação de qualquer tipo criando assim um vínculo de comprometimento num ato de expressão. Uma firmação mesmo que negativa é sempre uma sentença. E toda sentença provem de uma crença. E minhas crenças são os frutos do que eu conheço, aprendi. E o que eu conheço é, no máximo, o meu próprio modo de agir que é diferente do mecanismo do universo.
Uma das repetidas e repetitivas tentativas de afugentar meu mal funcionamento com relação às sentenças manifestadas é a expectativa depositada nas resoluções de ano novo. O casamento perfeito entre o dispensável e o irrealizável. Até aqui alguma novidade? Mas onde está a firmação da sentença de uma resolução de ano novo? No vazio, no vazio da esperança de que de um dia para o outro serei confiante e comprometido.
No universo não existe ruim ou bom. Esperança ou expectativa. Um pedido é um pedido. E ele será atendido de alguma forma. A sentença que corrobora uma firmação não é substituída por uma intenção de melhoria. A intenção é a pólvora, nada mais que isso. E a resolução é a simples intenção. Assim temos uma explosão manifestada ao universo, cercada de emoção e expectativa.
E onde está o problema em firmar uma sentença no ano novo? não existe nenhum problema, aliás, essa firmação pode ser feita hoje mesmo, agora! Desde que você consiga refutar a contra-argumentação que será proposta pela própria mente que aprendeu e conhece a dificuldade, a dúvida e a desistência como forma de manter o controle dentro do que é conhecido. E o que mais é conhecido é o que estou acostumado a validar. Por isso que ansiedade, temor e receio de ir em frente sempre surgem para sustar qualquer possibilidade de avanço.

Volto ao funcionamento do universo... e ao meu próprio funcionamento e assim me pergunto: quem deve mudar? 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Opiniões e evolução espiritual

Nos acostumamos a ter um forte apreço por nossas opiniões pessoais. Tanto é assim que hoje boa parte do nosso tempo é consumido em manifestá-las e lutar por elas. Expor nosso pensamento é uma forma de provar nossa própria existência. Existência essa posta à prova sempre que nos deparamos com a questão espiritual, mais especificamente com o tema da evolução. A evolução espiritual por si só é uma fraude, e isso já foi falado e escrito por muitas pessoas, não é novidade. E a fraude está na simples junção das duas palavras na mesma expressão: evolução + espiritual.
O entendimento da evolução humana é natural. Estamos em evolução. Avançamos e recuamos como qualquer experiência cientifica controlada. E quanto mais evoluímos mais queremos adicionar conteúdo ao produto. É assim que funciona nosso mundo, e é assim que nós funcionamos.
O entendimento da conexão espiritual com a evolução é o ponto fora da curva em nossa condição humana. Não existe o que evoluir para o espirito mesmo enquanto usado na experiência humana. Neste ponto especifico a evolução é assintomática na humanidade. Não existe ligação. É independente.
Enquanto o ser humano evolui em aceitar-se como sendo uma parte do todo, a conexão espiritual é exatamente o contrário. A evolução do indivíduo humano é criar a conexão com todos os outros pares coabitantes deste planeta e, ao mesmo tempo, isolar-se em si mesmo para conectar ao mais profundo da sua própria existência universal. A possibilidade de conexão espiritual é permitir ao indivíduo que no mais profundo egoísmo aceita ser um e único para ser livre, ser tudo e todos.  
Ser um e único é o oposto de manifestar-se sobre a própria opinião ou vontade. Ser um e único é ser isso e ao mesmo tempo não ser nada onde nada existe. Quando nada me interessa e, ao mesmo tempo, eu não fujo de nada do que acontece e me circunda eu estou no caminho de ser um e único num profundo e simples vazio. O nada ou vazio não é um local a ser alcançado, um ponto a ser atingido, mas o momento onde eu não manifesto o que eu acho, o que eu penso, o que eu quero, é assim, neste momento, onde nada está em mim, agindo em mim, onde nada está sendo eu, que eu encontro o vazio em mim.
E o vazio em mim sou eu, espirito universal, em tudo e todos presente, sendo humano.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Desaprender

O despertar é um tema que não costumo abordar, pois ele é bastante complexo. Além de que já tem bastante coisa escrita ou gravada sobre esse assunto. Assim sendo vou fazer uma abordagem sobre o pós despertar e o que fazer nessa situação. Lembro que o caminho para o despertar é diferente para cada um:  pode ser simples, direto ou complicado, tortuoso e até doloroso.
Mas passado o evento e solidificado o conceito temos o passo seguinte. Começa a jornada dupla, um novo momento com novas condições e necessidades. Agora eu preciso viver a vida ordinária e andar desperto pelo mundo, país, estado, cidade, bairro, casa... trabalhar ou estudar, participar de eventos ou festas, ir a hospitais ou enterros, receber familiares ou amigos, enfim conviver com despertos e não despertos. Nada muda na vida ordinária de um desperto a não ser o vínculo com as situações. Então se você não leu sobre isso durante o despertar, vai precisar continuar a jornada de descobertas.
Vejo que a principal missão de um desperto é desaprender. E isso poderá ser complexo. Muitos despertos se perdem nessa jornada. Talvez até se existisse algum segredo a ser desvendado no despertar é sobre desaprender. Pois é necessário desaprender tudo sem desprezar esse conhecimento tão importante na vida ordinária. Todo o conhecimento sobre a vida humana é necessário e será útil, mas as implicações do conhecimento podem e devem ser desprezadas.
Coisas como o peso da minha opinião, minha razão, minha certeza por mais que sejam uteis para viver e desempenhar o papel esperado não devem mais provocar reações em mim. Reações emocionais físicas ou mentais. É preciso desaprender do apego para não sofrer, ou duvidar. Eu aprendi desde que nasci a me apegar a mim e a tudo. Sou meu proprietário, as vezes cedo essa posse, as vezes tomo posse de outros, isso faz parte da vida ordinária. Mas um desperto não é mais um qualquer na vida ordinária humana. Um desperto no mínimo goza da sutileza e perspicácia da liberdade, da paciência, da confiança.
Desaprender do que me prende é o que faz sentido no despertar porque de resto é continuar na vida ordinária humana sendo apenas ordinário.

Desaprender sem desprezar. Não esqueça disso!