sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Viver bem é...


Viver bem é a grande busca da experiência humana. O maior desejo inconsciente e, as vezes, até consciente também. E, invariavelmente, o supremo fracasso da experiência e da vida.
Faça o que fizer. Tenha o que tiver. Viva o que viver. A sensação e, em alguns casos, até a certeza de que falta algo é permanente.
Viver bem é complexo? Viver bem é difícil? Viver bem é possível?
Viver bem não é complexo nem simples, também não é difícil nem fácil. Mas parece ser quase impossível… e a explicação para a quase impossibilidade é tão óbvia que transforma o simples em complexo, e o fácil em difícil.
O óbvio da possibilidade de viver bem é chegar ao ponto de aprender, compreender e aceitar que a saciedade dos desejos de fazer e ter é impossível.
Sendo impossível saciar tais desejos o que torna possível viver bem? Viver a vida que está viva! A única experiência possível! O que está disponível! O que está acontecendo! O que não depende de nada! O que não acontece no mundo dos pensamentos, das fantasias, dos desejos…
Estar vivo num mundo de ilusão não torna a experiência humana ilusória permanente. Ela é real nesse contexto. Esta vida é uma experimentação. Os sentimentos são para serem experienciados, mas não para vivermos neles. Se apegar a um sentimento por melhor que ele pareça ser é igual a parar de viver. A complexidade da experiência é sentir tudo e seguir. Seguir para a próxima experiência. Viver a próxima experiência. Isso pode significar mudar algum contexto ou manter tudo igual. As experimentações em nossa oportunidade de vida se sucedem justamente para que seja possível viver bem. Experimente viver experiências, sentimentos, dores, paixões sem apegar-se a necessidade de alegria ou tristeza. Viva sorrisos e risos. Flua consciente... Viva choros e lágrimas. Flua inconsciente… Viva tudo e tudo deixe passar. Flua na vida através dos sentimentos, das experiências.
Seja transparente aos sentimentos e às experiências. Não guarde marcas, não seja marcado, não marque. Não deixe nada aberto, não feche nada. Nada vai melhorar. Nada vai piorar.
A liberdade não é um contexto na experiência. A paz não é um contexto na experiência. O amor não é um contexto na experiência. A vida humana é uma situação de experimentação.
Evolua para si mesmo, vazio e completo de nada… não exista… não exista até o ponto de sentir a totalidade da existência sem a brevidade vida.
Viver bem é…

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Um sonho tem três caminhos: esquecer, fantasiar ou projetar!


O sonho a que me refiro não é o sonho do sono, mas o sonho do desejo.
O sonho do sono é quase um recado, por si só é considerado irreal em nossa dimensão cognitiva, mas em alguns casos o recado é recebido e aí depende de como, quando e quem recebe…
O sonho do desejo é a vontade do não realizável, é o conhecido sonhar de olhos abertos. A maior parte dos sonhos do desejo são descartados ou esquecidos. As classes do sonho do desejo são basicamente duas: material ou sentimental.
O problema começa quando o sonho do desejo se transforma em uma fantasia. O sonho do desejo que vira fantasia é perturbador e perigoso, pois normalmente ele cria as mesmas condições vivenciadas em um sonho do sono, ou seja, tudo é possível menos piscar os olhos. O sonho do desejo que vira fantasia se intensifica em projetos e condições mentais onde tudo é propício e sempre dará certo, os ajustes mentais são pontuais, pois ele independe da realidade até que seja confrontado com a inexistência de resultado. O sonho do desejo é sempre alocado num tempo futuro. O sonho do desejo é como ter uma pá e cavar um buraco num poço de areia movediça…
Os sonhos do desejo são a base da condição humana! Então para que um sonho do desejo consiga ajudar na vida é necessário um passo em direção ao átomo de carbono, que nada mais é do que a nossa constituição básica. Esse passo é mover o sonho do desejo mental para uma imagem visível em nosso mundo, pois nós estamos acostumados e aceitamos muito bem imagens em nossa vida cotidiana. Para fazer isso é possível usar outras formas do átomo de carbono, tais como papel e tinta, ou um notebook, e transformar assim o sonho do desejo em uma imagem, um projeto. Isso ainda não significa que um sonho do desejo que será materializado em projeto irá prosperar, ou será implementado na prática, ou terá algum exito. Mas agora é como ter nas mãos uma corda amarrada num burro que me puxa e assim supostamente me afasta do buraco da areia movediça…
É claro que isso tudo diz a respeito a sonhos do desejo material, pois um sonho do desejo emocional será sempre uma fantasia…
Eu tenho a capacidade de usar todos os átomos de carbono disponíveis para viver bem!
Eu tenho a capacidade de usar a complexidade científica que eu sou para viver bem!
Eu me uso para viver bem!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Observar a si mesmo ou auto-observação?


Observar a si mesmo é o ato de olhar sem agir, enquanto auto-observação necessita de uma ação. São diferentes, sim!
Observar a si mesmo tem por objetivo se desassociar do mundo mental seja ele físico ou sentimental.
Auto-observação é a tentativa de controlar o mundo mental e obter melhorias na condição de vida seja no aspecto físico ou sentimental.
Não existe resultado a obter, mas um é possível o outro não…

Quanto maior é o meu esforço para acordar mais pesado se torna o meu sono


Ou quanto mais eu busco entender a ilusão mais eu aumento minha própria ilusão
Acordar no linguajar espiritual new age é tido como uma libertação, mas não é bem assim. Despertar para a ilusão é aprofundar a própria suspensão. A liberdade não está no conhecimento, no saber disso ou daquilo, pois quanto mais eu acumulo informação mais preso eu fico. Ser sábio na prisão é insinuante, interessante, poderoso e ainda mais aprisionante!
Estar desperto no conhecimento da ilusão é estar num sono ainda mais profundo…
E a liberdade onde está?