Quando
eu comecei a buscar respostas me deparei com algo muito maior do que
sequer pensava que
fosse possível conceituar como dúvida. E
aquilo que
mais me deixou
atônito,
num primeiro momento, foi perceber que eu já tinha respostas, mas
não
entendia
as perguntas como
algo importante ou as fazia de
forma errada e, ainda
mais absurdo, eu
analisava tudo sob uma mesma ótica de compreensão.
Então
quando o
processo da “busca” iniciou de forma consciente
e
os novos conteúdos começaram a chegar eu conseguia, de alguma forma
não consciente, assimilar tudo que chegava sem criar nenhuma
barreira. O efeito esponja foi amplo em meu estado de absorção de
conteúdo. As perguntas e respostas eram complementares e se
revesavam em movimentar os novos conteúdos de forma harmônica,
variável e lógica. Nada que não deveria ser absorvido ficava muito
tempo na linha de frente do aprendizado. O material a ser descartado
era rapidamente colocado de lado. Hoje
analiso assim, mas
não
era algo consciente naquele momento.
Feita
esta introdução, entendo
agora que
a
“busca” é
melhor explicada como
sendo a carência de Si mesmo. A busca é a imersão
no próprio mundo perdido.
A busca é a falta que sinto de mim, de uma parte de mim. A busca é
a origem, o começo, o primeiro passo em direção ao desconhecido. A
busca é diminuição da distância imaginária de algo
que nunca esteve longe e nunca se afastou. A busca é a volta ao
ponto de partida da experiencia humana, antes do
humano e antes da
experiencia. A busca é a visão da porta que abre pra dentro. A
busca sou eu e Eu
Sou
a busca.
Todas
as partes de mim são complementares. O eu/persona que desenvolve e
comanda o corpo humano é necessário e indispensável no processo da
busca. O eu/persona precisa cooperar e não resistir nos primeiros
momentos da busca iniciada, pois
sem
esta participação do eu/persona nada acontece. O mundo em que está
estruturada, em
que foi montado o contexto da
experiência da vida humana é funcional apenas para o eu/persona. A
outra parte que está inerte não sabe o que fazer neste mundo. A
outra parte que está inerte não quer fazer nada neste mundo. E isso
é simples de ler, fácil de entender e difícil de viver sendo
humano o tempo todo.
Então
quando a busca é iniciada começará
também uma disputa interna muito interessante, pragmática e lógica.
E
a partir deste momento a dúvida se instala de forma brutal
machucando de muitas formas, mas, principalmente, escancarando a dor
que sentimos pela falta da nossa outra parte. Falta essa que foi por
tantas vezes e tanto tempo mascarada como sendo a vontade de ter
outro eu/persona para amar e dividir a vida.
Isso
acaba com a completude do Ser. Isso acaba quando me reencontro
comigo.
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