sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O que é a "Busca"?


Quando eu comecei a buscar respostas me deparei com algo muito maior do que sequer pensava que fosse possível conceituar como dúvida. E aquilo que mais me deixou atônito, num primeiro momento, foi perceber que eu já tinha respostas, mas não entendia as perguntas como algo importante ou as fazia de forma errada e, ainda mais absurdo, eu analisava tudo sob uma mesma ótica de compreensão.
Então quando o processo da “busca” iniciou de forma consciente e os novos conteúdos começaram a chegar eu conseguia, de alguma forma não consciente, assimilar tudo que chegava sem criar nenhuma barreira. O efeito esponja foi amplo em meu estado de absorção de conteúdo. As perguntas e respostas eram complementares e se revesavam em movimentar os novos conteúdos de forma harmônica, variável e lógica. Nada que não deveria ser absorvido ficava muito tempo na linha de frente do aprendizado. O material a ser descartado era rapidamente colocado de lado. Hoje analiso assim, mas não era algo consciente naquele momento.
Feita esta introdução, entendo agora que a “busca” é melhor explicada como sendo a carência de Si mesmo. A busca é a imersão no próprio mundo perdido. A busca é a falta que sinto de mim, de uma parte de mim. A busca é a origem, o começo, o primeiro passo em direção ao desconhecido. A busca é diminuição da distância imaginária de algo que nunca esteve longe e nunca se afastou. A busca é a volta ao ponto de partida da experiencia humana, antes do humano e antes da experiencia. A busca é a visão da porta que abre pra dentro. A busca sou eu e Eu Sou a busca.
Todas as partes de mim são complementares. O eu/persona que desenvolve e comanda o corpo humano é necessário e indispensável no processo da busca. O eu/persona precisa cooperar e não resistir nos primeiros momentos da busca iniciada, pois sem esta participação do eu/persona nada acontece. O mundo em que está estruturada, em que foi montado o contexto da experiência da vida humana é funcional apenas para o eu/persona. A outra parte que está inerte não sabe o que fazer neste mundo. A outra parte que está inerte não quer fazer nada neste mundo. E isso é simples de ler, fácil de entender e difícil de viver sendo humano o tempo todo.
Então quando a busca é iniciada começará também uma disputa interna muito interessante, pragmática e lógica. E a partir deste momento a dúvida se instala de forma brutal machucando de muitas formas, mas, principalmente, escancarando a dor que sentimos pela falta da nossa outra parte. Falta essa que foi por tantas vezes e tanto tempo mascarada como sendo a vontade de ter outro eu/persona para amar e dividir a vida.
Isso acaba com a completude do Ser. Isso acaba quando me reencontro comigo.

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